Bea Feitler, diretora de arte, designer e feminista

Leitura inspiradora e de visual apaixonante para amantes da arte editorial é O Design de Bea Feitler, lançamento da editora Cosac Naify.
O livro é recheado de fotos da arte de Bea. O texto biográfico é de Bruno Feitler, sobrinho de Bea e comentários do designer André Stolarski.
Para quem não sabe, Beatriz Feitler foi uma das maiores ‘graphic designers’ do mundo nos anos 60/70 e início dos 80. Trabalhou principalmente em Nova Iorque na ‘Harper’s Bazaar'(em parceria com Ruth Ansel), ‘Ms’, ‘Rolling Stone’, ‘Vanity Fair’ entre outras, designer de capas de discos, cartazes de espetáculos, editoriais de moda e em trabalhos com fotógrafos famosos como R. Avedon e Annie Leibovitz.
Carioca, nasceu em 1938 e cresceu em meio à arte. Foi estudar design na famosa Parsons School of Design, em Nova Iorque. Quando retornou ao Brasil ficou apenas um ano, e trabalhou em publicações como ‘Senhor’ e ‘Setenta’.
Voltou para a América para ser assistente de um ex-professor na Harper’s Bazaar. Bea tinha 23 anos.
Lá confeccionou a capa que viraria ícone dos anos 60, com o rosto de uma modelo clicada por Richard Avedon emoldurado por um chapéu rosa em forma de capacete e um toque de mestre – graças a um truque gráfico, a modelo dava uma piscadela dependo do ângulo em que você a olhava.

Seu estilo bem brasileiro era percebido no uso de cores fortes e vibrantes, no pleno domínio da produção e edição de imagens, e uma diagramação moderna e ousada.

Com o álbum ‘Black and Blue’ de 1976, em poses cuidadosamente elaboradas por Bia, os Stones se espalham pela capa, em disposição assimétrica.

Outro importante trabalho foi o projeto visual para o livro ‘The Beatles’ de Geoffrey Stokes, 1980. Bea ajustou perfeitamente o desenho de Andy Warhol com as imagens de Paul e John, em fotos da época da Beatlemania (na edição americana a capa se desdobrava com George e Ringo), para uma capa que por si só já vale o livro. Fez também a direção de arte de livros sobre Cole Porter e dos irmãos Gershwin.

Num dos últimos trabalhos como diretora de design da revista Rolling Stone, em janeiro de 1981, optou por manter somente a fotografia de Annie Leibovitz sob o logo da publicação, sem chamadas, na antológica capa que marcou a morte de John Lennon.
A foto havia sido feita na manhã do dia em que John foi assassinado.

Foi eleita designer do ano nos Estados Unidos, no disputado Carey-Thomas Award for Creative Publishing. Em seu currículo entrariam ainda a revista feminista Ms. Magazine, propagandas para Calvin Klein e Dior, e o projeto gráfico para o retorno da Vanity Fair, que renasceria em 1982. Depois de aprovar a edição ela voltou ao Brasil e não viveu para vê-la publicada.
Fez um sucesso danado, mas não chegou a colher os merecidos louros.
Em 1982, Bea Feitler faleceu de câncer, aos 44 anos.
Centenas de pessoas foram ao seu funeral, e como um tributo, seus amigos e família criaram a Fundação Bea Feitler que financia uma bolsa integral de um ano para um estudante de design gráfico da Escola de Artes Visuais.
Trinta anos depois temos a satisfação de apreciar a biografia e imagens de sua paixão pela vida e design.